Educação requer acesso as tecnologias e mediação.
Texto elaborado por Rui Ceccon, para o Curso de Pós graduação em EAD pela UNIGRAN em maio de 2011
O surgimento do computador e a inserção das TICS nos faz refletir sobre o papel que professor e do aluno no processo educativo, pois para ter educação de qualidade é preciso superar o paradigma da educação convencional e os preconceitos dos novos modelos educacionais mediados pela tecnologia que se iniciou com a introdução das TICS no EAD e hoje se expandiu e faz parte da educação como um todo. Bem gestados o uso das tecnologias nos processos pedagógicos, a educação num todo será beneficiada, pois permite que a informação chegue a qualquer lugar a qualquer hora. Segundo ALMEIDA(2010) “a eficácia do processo de ensino está na resposta em que se dá à apropriação do conhecimento” ainda diz que o processo ensino- aprendizagem é composto por elementos estreitamente interrelacionados, logo não há educação de qualidade sem estar relacionada ao social, por isso na prática pedagógico o professor exerce o papel de mediador para que o aluno se aproprie do conhecimento que hoje está ligado ao conhecimento tecnológico.
A construção desse novo espaço educacional passou, primeiro lugar pela construção de um novo conceito de sala de aula, a qual deixou de ser o espaço físico para tornar-se um ambiente virtual ou a combinação dos dois para que nele ocorra o processo de ensinar e aprender. Mesmo que o processo de ensino e aprendizagem ocorra da mesma maneira no espaço presencial e a distância, o uso das tecnologias o papel do professor e do aluno tomam outra dimensão, portanto o professor precisa exercer a função pedagógica mediadora e a função técnica que é o domínio do funcionamento da tecnologia e suas possibilidades.
O aluno, nesse novo contexto, é responsável pelo seu processo de aprendizagem, buscando a informação não só no ambiente da sala de aula e ao mesmo tempo em que constrói o seu conhecimento na interação e mediação, contribui para a construção do conhecimento dos outros com os quais interage, logo contribui para a aprendizagem individual e a do grupo. Nesse contexto o aluno precisa desenvolver a autonomia e administrar sua própria caminhada em busca do conhecimento, deve ser autônomo e comprometido com o seu desenvolvimento para que a ação educativa aconteça.
O uso do computador não se encerra apenas na utilização da tecnologia em si, mas está relacionada ao desenvolvimento de condições, estratégias e interações de aprendizagem, embasadas em concepção pedagógica que fundamenta a prática educativa. E diante dessa grande evolução, segundo Scherer, o professor precisa criar um ambiente colaborativo que permita Interações para acompanhar o aluno para entender o que ele faz e como faz, e dessa forma, o professor poder auxiliá-lo a significar aquilo que está fazendo.
Os recursos de informática auxiliam o trabalho do professor, pois o computador trouxe muitos benefícios à educação, facilitando o acesso ao conhecimento, antes do computador e da internet era difícil nas escolas ter acesso ao conhecimento, pois se resumia no livro didático e algumas coleções de literatura e ao trabalhar, por exemplo, a produção textual o aluno escrevia para o professor, hoje, o aluno pode ter um motivo a mais para escrever, pois os blogs são espaços para publicação, entre outros recursos disponíveis que permitem divulgar trabalhos. No trabalho da língua estrangeira com o uso do computador há a possibilidade de explorar a oralidade e o próprio aluno se auto-avaliar, enfim a gama de recursos que se possibilitou com o computador é infinita, basta buscar e adequá-las aos objetivos do ensino, pois à velocidade de surgimento e renovação de saberes e à mudança causada pela tecnologia favorece novas formas de acesso à informação e novos estilos de raciocínio e de conhecimento:
"(...) o ciberespaço suporta tecnologias intelectuais que amplificam, exteriorizam e modificam numerosas funções cognitivas humanas: memória (banco de dados, hiperdocumentos, arquivos digitais de todos os tipos), imaginação (simulações), percepção (sensores digitais, telepresença, realidades virtuais), raciocínios (inteligência artificial, modelização de fenômenos complexos)." (Levy 1999, p. 157)
Segundo uma pesquisa da Fundação Victor Civita (2010, p. 49) 73% das escolas estaduais possuem laboratório de informática, e 83% dessas tem acesso a internet, no entanto a pesquisa não relata se há pessoas capacitadas para atender, e isso influencia nas políticas educacionais, as quais normalmente colocam uma pessoa que tenha hora sobrando para atender o laboratório de informática, embora, ultimamente, haja por parte do MEC a preocupação de capacitar os professores. Mesmo assim, há professores que não utilizam a tecnologia por medos e resistências.
Defendo o uso das TICS e já as utilizo na minha prática pedagógica, utilizo muito o computador e a internet, para pesquisa e armazenamento de materiais e links que permitem ao aluno ter acesso mais fácil ao conteúdo, além de montar trabalhos para apresentação e entregá-los via email, como pode ser visto em http://ruiceccon.blogspot.com/p/site-do-rui-ceccon.html, no entanto cito a dificuldades, pois a maioria dos alunos só tem acesso a esses recursos na escola e hoje no mundo globalizado se não disponibilizarmos o acesso as tecnologias estaremos excluindo o aluno desse mundo e marginalizando-o, pois com o Ensino a distância o ser humano precisa dominar o uso das TICS, ensino que utiliza para sua formação e atualização.
Referências
ALMEIDA, Rafael. Uso da Informática na prática pedagógica. IN: http://cead.ufsm.br/moodle/mod/assignment/view.php?id=109950. Acessado em: 17 out. 2010.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. Tradução de Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Editora 34, 1999.
MENEGUELLI, Flaviana. Usar as novas tecnologias: Um recurso a favor dos conteúdos. Nova Escola, outubro,2010. São Paulo: Fundação Victor Civita.
MORAN, José Manuel. Os modelos educacionais na aprendizagem on-line. http://www.eca.usp.br/prof/moran/modelos.htm
MORGADO, Lina. O PAPEL DO PROFESSOR EM CONTEXTOS DE ENSINO ONLINE: Problemas e virtualidades. in: Discursos, III Série, nº especial, pp.125-138, Univ. Aberta, 2001
SCHERER, Suely. O papel do professor nos ambientes virtuais de aprendizagem. In: CONGRESSO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – MERCOSUL, 7, 2003, Florianópolis. Anais... Florianópolis-SC: CTAI-Senai, 2003. p. 270-274.
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